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Invasão

Darryn Rae

Maier

 

 

O perigo das espécies invasoras

 

 

A ficção científica fornece roteiro para inúmeras películas que tratam de invasões ao planeta Terra que se dão através do controle dos corpos humanos pelos alienígenas.

 

Na realidade, invasões alienígenas se dão, com certa freqüência, aqui mesmo na Terra, por falta de cuidado e controle ambiental, trazendo enormes prejuízos.

 

Em 1950, o pecuarista gaúcho Ernesto Annoni trouxe para o Brasil o capim Eragrostis plana, que se tornou conhecido como capim annoni.

 

Na verdade, o annoni já houvera chegado ao Rio Grande do Sul, desde a África, de forma incidental, no meio de outras espécies.

 

A princípio, os fazendeiros notaram que o annoni deixava o pasto sempre verde e isto foi o suficiente para começarem a semeá-lo sem maiores preocupações.

 

Sem o controle biológico natural que sempre caracteriza as espécies exógenas, o annoni logo revelou a que veio: rapidamente conquistou terreno e tornou-se um dos maiores problemas ambientais do país.

 

Ao se revelar uma ameaça, o annoni foi ferozmente combatido, mas, ainda hoje, 20% dos campos sulinos estão forrados com ele, o que equivale a uma área de 2 milhões de hectares invadidos.

 

Os cientistas da ONG Instituto Hórus calcularam o prejuízo econômico que o annoni causa aos pecuaristas gaúchos: em 2005, a produção de gado no extremo sul do Brasil sofreu uma perda de R$7 milhões, com um acumulado entre 1995 e 2005 de R$60 milhões.

 

As projeções mostram que o problema só tende a aumentar: em 2015, cerca de 4,5 milhões de hectares deverão estar forrados com o capim e o prejuízo acumulado até lá poderá chegar a R$1,2 bilhões.

 

Pior: com a batalha em curso, sem que se consiga controlar a proliferação da praga, já se constata a chegada do annoni no Sul da Bahia.

 

Os sul-africanos, que enfrentam problema similar, desenvolveram técnicas de controle biológico ao annoni, usando predadores naturais da planta, que se alimentam das sementes.

 

Trazer estes insetos para o Brasil, todavia, está fora de cogitação, pois poderia se constituir em mais um problema.

 

A expectativa do controle está na Embrapa, que desenvolve pesquisas para tentar encontrar controles biológicos para o annoni.

 

Mas, o exemplo do annoni parece não estar sendo considerado pelas autoridades paraenses do setor.

 

O afã desenfreado pela produção de biocombustíveis no Brasil tem causado alerta entre os cientistas que estudam espécies invasoras.

 

As preocupações dos cientistas  são focadas em duas espécies que estão proliferando como boas soluções de bioenergia, que, como o annoni, não são plantas autóctones: o dendezeiro (Elaeis guineensis) e a mamona (Ricinus communis).

 

Sílvia Ziller, cientista que faz  parte do Programa Global de Espécies Invasoras, patrocinado pela ONG The Nature Conservancy, desaconselha o uso do dendezeiro no Brasil na escala em que o mesmo está sendo plantado e indica como alternativa com mesma viabilidade, espécies autóctones como a carnaúba e o buriti.

 

O dendezeiro é originário do Oeste da África e invade além do Brasil, a Micronésia e a Flórida.

 

O Pará tem licenciado plantações em grande escala do dendê, sem ter estudado matrizes que façam as devidas avaliações de risco desta espécie como invasora, e o que esta monocultura, com o tempo, poderá significar no delicado e diversificado ecossistema amazônico.

 

Seria prudente tomarmos a iniciativa de indicar às empresas que operam esta atividade, a mudança da espécie por aquelas nacionais, aconselhadas pelos cientistas que estudam o assunto.

 

 

 

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